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Entretenimento no Culto. Vou a igreja ou ao Shopping? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
05-Out-2007

Paz pessoal,

Queria refletir convosco um texto de um grande homem de Deus: Charles H. Spurgeon.

Umas das coisas que me fazem ser apaixonado pela nossa igreja são seus cultos. Nossos cultos são marcados por leituras das Escrituras em sua liturgia, hinos e a pregação baseada nas Escrituras. Nosso Reverendo é um homem de Deus fiel às sagradas Escrituras, suas pregações são expositivas, ele nos transmite a Palavra de Deus com responsabilidade e temor.  

No entanto, existem hoje muitas igrejas que trocaram esta prática reformada de cultos com leituras bíblicas e pregações bíblicas por entretenimentos, pregações emotivas e sem fundamento nas Escrituras. Isto faz mal, muito mal. A igreja não é um lugar para passar tempo. Não é a mesma coisa do que ir ao cinema ou ao Shopping. Ir a igreja é prestar adoração a Deus e ser nutridos por Ele.

Veja o que Spurgeon escreveu:

Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: "E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho", assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: "Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? "Vós sois o sal", não o "docinho", algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos" (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: "Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!" Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los.. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: "Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!" Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: "Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos". Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles "transtornaram o mundo". Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.
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Infelizmente somos às vezes atraídos por estes cultos não bíblicos. Precisamos policiar nisso.
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Atenciosamente,

Douglas Machado
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Atualizado em ( 28-Set-2010 )
 

Comentarios  

 
0 #2 Edson Manoel 27-12-2010 20:15
Essa é a mais pura realidade. Esta palavra é Deus nos alertando.
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+1 #1 Daniel M. Gomes 29-09-2010 08:11
Concordo inteiramente com este artigo e alerta. Infelizmente as igrejas ditas "históricas" estão deixando de lado a liturgia reformada, não observando o Princípio Regulador do Culto, e partindo para práticas litúrgicas próprias do neopentecostali smo, em nome de um pragmatismo maligno, do tipo: "Se lá funciona e encheu a igreja, aqui vai funcionar também".

Culto não é show e muito menos um programa de auditório. Não é festival, nem os louvores uma oportunidade para mostrar solos incríveis. Não é teatro! Não é para agradar, nem desagradar a ninguém na congregação. Ou é para a glória de Deus, ou não é culto!
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