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RETORNO E RESTAURAÇÃO - 2 Crônicas 36.22-23; Esdras 1.5-7 - ENTENDENDO E VIVENDO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
29-Set-2007

Nick Kersten



Os instrumentos do julgamento e juízo


                Vimos, na semana passada, que Deus usou os babilônicos como instrumento de juízo sobre o reino de Judá por causa de sua desobediência (2 Crônicas 36.15-21).  Entretanto, como ficou provado mais adiante, o Senhor era soberano sobre todas as nações; logo, os babilônicos foram julgados pela crueldade, e Dario, o rei dos medos e dos persas, tornou-se a rei da Babilônia e, conseqüentemente, de todos os reinos que os babilônicos haviam conquistado (Daniel 5.30). Como resultado, ele também se tornou o governante de Judá.



Diferentes tipos de política externa

Entre a destruição de Israel, em 722 AC, e a ascensão de Dario ao trono, houve três poderes principais no Oriente Médio. Todos eles tiveram meios diferentes de manipular as terras conquistadas. O primeiro dos poderes, a Assíria, foi responsável pela destruição de Israel. A política assíria com os povos conquistados era deportar as pessoas da região conquistada e repovoar o local com gente de outras partes do seu império. Como tal, em 722, as pessoas do Reino do Norte (Israel) foram dispersas e, aos poucos, os israelitas começaram a se casar com moradores dos outros povos que repovoaram a área. As “10 tribos perdidas de Israel” eram o resultado dessa ação. Olhando para o Novo Testamento, podemos dizer que os samaritanos eram as pessoas que vieram assim, o que parcialmente explica a hostilidade que a gente do Reino do Sul (Judá) tinha pelos samaritanos, pois eles não eram judeus “puros” - haviam se misturado com os assírios e com os demais povos. Esse tipo de filosofia - de dispersar e de mixar pessoas com convicções, idiomas e culturas diferentes - prevenia qualquer tipo de revolta, pois se organizar para a revolta era algo difícil ou praticamente impossível.





Quando os babilônicos derrotaram a Assíria e tornaram-se o poder dominante, instituíram uma política diferente. Em lugar de repovoar a área com pessoas de seus reinos, deportavam para a Babilônia todos que pudessem conduzir uma revolta nos lugares conquistados, e colocavam sobre os reinos invadidos governadores babilônicos. Entre os potenciais líderes enviados ao exílio babilônico, estão incluídos Daniel, Ezequiel, Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abede-nego). Lá, tais chefes poderiam ser monitorados de perto por seus captores, e doutrinados com ideais babilônicos. Essas medidas preveniam a revolta, mantendo qualquer um que pudesse conduzi-la num tipo de prisão cultural, longe do seu próprio povo.





O terceiro poder, o persa, usava um método muito diferente para assegurar a lealdade nas regiões por  conquistadas. Eles praticavam um sistema de devolver os cativos da Babilônia às suas pátrias, e patrocinavam as religiões dos povos conquistados. Esse tipo de liberdade, considerando-se os governos opressivos da Assíria e da Babilônia, gerava grande apoio e lealdade ao reinado persa, em todas as nações que haviam sido oprimidas pelos dois poderes prévios. A política persa prevenia a revolta criando lealdade nos grupos conquistados. O povo de Judá foi um dos recipientes de benefícios dessa mudança em política externa.





 





O retorno do cativeiro





                O edito de Ciro (registrado em 2 Crônicas 36.22-23 e em Esdras 1.2-4) é um reflexo dessa mudança de política externa. Nele, podemos ver que Ciro provê tanto a oportunidade para os judeus retornarem a Judá como os meios para fazerem isso. Em adição, vemos que ele também fez provisões para a reconstrução do tempo. O edito era a oportunidade que o povo estava aguardando desde a destruição do templo pelos babilônicos. Após 70 anos numa terra estranha, o povo de Judá poderia retornar ao lar! Além da bênção de poder regressar, as provisões foram feitas para que as pessoas adorassem a Deus, da forma que havia sido prescrita por ele. Entretanto, a oportunidade tinha vários desafios... Devido ao cativeiro de 70 anos, muitas pessoas, que agora ganhavam permissão para retornarem, nunca tinha visto Jerusalém ou Judá! A experiência que tinham era a de uma vida apenas na Babilônia. Sentimentos de ansiedade e de medo poderiam ter submergido à alegria do retorno dos exilados.





 





Celebração desenfreada





Apesar de estarem retornando a um lar desconhecido por elas, as pessoas de Judá celebraram o perdão de Deus, demonstrado pelo edito de Ciro. No livro de Esdras, vemos que a descrição do retorno a Jerusalém, para reconstruir e dedicar o templo, está cheio de detalhes do trabalho feito e de como foi terminado. Tudo isso teria sido impossível sem Deus; o Senhor abençoou-os com recursos, com corações e com mãos dispostas.





É interessante destacar que, na ordem hebraica dos livros que compõem o Antigo Testamento, não se termina com os profetas (como nas nossas bíblias), mas com o livro de 2 Crônicas. Ali está esse edito de Ciro. A esperança trazida pelo retorno é a última coisa de que eles se lembram nas Escrituras: Deus tinha restabelecido seu povo depois que o tempo do julgamento cessou.







Perdão percebido





A ordem para voltar para casa não era somente o fim de um castigo; representava muito mais! Tratava-se da compreensão de que Deus tinha perdoado seu povo e convidava-os a voltar a ele. Quando o Senhor castiga, o castigo sempre tem o propósito expresso de corrigir aqueles que se desviam da sua vontade; assim, pode-se retornar a ele. Toda punição divina anuncia o convite de nosso Deus para nos reconciliarmos com ele.







Depois que o tempo designado ao castigo foi completado, o senhor ofereceu o que tinha predito por seus profetas: a reconciliação. Isaías fala dessa volta em Isaias 40-66. Jeremias prediz o mesmo fato em Jeremias 29:10-14. Outros profetas igualmente abordam o tema. Durante o tempo do julgamento, o Senhor revelou um dos seus atributos: a justiça. Agora, ele demonstrava ao seu povo outro de seus predicados: a misericórdia. A cada passo que os exilados davam para casa havia a percepção de que o perdão do seu Deus havia chegado! O dia do retorno chegara, e a realidade final para os exilados deve ter sido a visão ao longe da amada pátria e da cidade deles.  






Razões para celebrar





Semelhantemente às pessoas do tempo de Ciro, que lhes permitiu voltarem para casa, também podemos e deveríamos nos alegrar pelo perdão de nosso Senhor. Nenhum de nós está isento do julgamento de Deus acerca de nossos pecados; todavia, por causa do presente sacrificatório de Jesus Cristo, todos podemos gozar a alegria do convite de Deus para voltarmos para ele. Verdadeiramente, sua fidelidade e seu perdão renovam-se a cada manhã (Lamentações 3.22-24). Temos razão para celebrar! Nosso próprio cativeiro de nosso pecado e egoísmo terminou, e somos livres para vir e desfrutar da comunhão com nosso Deus, Senhor, Salvador e Rei!

 

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