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QUANDO TUDO PARECE SEM ESPERANÇA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
10-Fev-2007

JÓ 14.1-17; 32.6-8; 34.12; 37.14-22

Dale E. Rood

ENTENDENDO E VIVENDO

Justin Camenga

O contexto

Em nossos textos de estudo do livro de Jó (capítulos fragmentados e versos que parecem fortuitos, sem conexão, e carentes de um tema), o monólogo pessimista de Jó sobre a vida é interrompido pela defesa apologética e enrolada de Eliú sobre a natureza de Deus. As passagens bíblicas de nosso estudo terminam com três versos contextualmente isolados. Sempre que isso acontece, seja em uma leitura responsiva, seja em um sermão, seja em um estudo bíblico, há um trabalho adicional para a classe ou para a congregação.

Normalmente, há um motivo benigno por trás de se selecionar versos isolados, embora alguns os usem como um pretexto para elaborarem doutrinas heréticas. Talvez os versos escolhidos falem sobre um tópico ou tema específico (entretanto isso não parece se ajustar a este caso). Os versos omitidos podem ser repetitivos, distrativos ou simplesmente serem muitos para se imprimir em um espaço limitado.

A Escritura poderia ser selecionada até mesmo de acordo com um plano para se ler a Bíblia inteira, em certo tempo determinado, sem qualquer esforço para se considerar o contexto. Este, sem dúvida, é importante, mas mesmo quando não está presente, ainda há muito para se aprender. A parte das Escrituras escolhidas para hoje poderia ser considerada um tipo de salada filosófica que contém amostras do desespero de Jó, além de sua esperança e a defesa de Eliú da reputação de Deus.

Pano de fundo histórico

Evidências em cemitérios pré-históricos sugerem que havia esperança de uma existência além-túmulo nas antigas civilizações, muito provavelmente acompanhada pela incerteza concernente à sua natureza, o que não é muito diferente da perspectiva contemporânea. Alguns escritores enfatizam a obscuridade que acompanha a vida, porque estão continuamente atentos à certeza da morte. Outros enfocam meios de obterem o máximo possível de qualidade de vida, de educação e de saúde, ou optam por trabalhar para uma vida superior após a morte. Há virtudes e falhas inerentes em cada categoria, e todos gastamos alguma porção de nossa vida investigando cada uma dessas áreas.

A Bíblia contém muitos comentários sobre mortalidade, retidão e longevidade. O relato de Gênesis sobre Adão e Eva sugere que morte é um castigo para a desobediência. Efésios 6.2-3 cita Êxodo 20.12 e sugere que obediência ao quinto mandamento prolongará a vida. O Salmo 1, entre muitos outros, relaciona vida à retidão, e morte ao mal.

Em Isaías 38.10-20, Ezequias relata seu desespero e, também, seus deleites quando Deus dera-lhe mais 15 anos de vida após Isaías haver entregado a mensagem do Senhor, avisando que ele morreria logo (2 Reis 20.1-6). Mas a Bíblia também registra, em 2 Reis 21, que ele viveu para gerar Manassés (cuja maldade foi considerada igual à de Acabe, em 2 Reis 21.13). Manassés tornou-se pai de Amom, morto por causa de sua perversidade; porém, foi o pai de Josias, o último rei íntegro de Judá. Um estudo mais inclusivo da Bíblia não clarificará essas relações.

A pergunta de Jó (Jó 14.14) tem uma urgência infinita e universal, a qual ele responde com presciência eloqüente (Jó 19.25-26). Ela não é conclusiva até a primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses (1 Tessalonicenses 4.13-18).

Principal enfoque

Vida longa, riqueza e saúde foram consideradas sinais de aprovação divina. Por outro lado, miséria e enfermidades eram evidências do desgosto de Deus. Antes que o Senhor lhe concedesse os 15 anos adicionais, Ezequias “recordou” a Deus todos os seus trabalhos íntegros e sua fidelidade. Mas vida longa sem alegria não é uma bênção; e longevidade sem fé, esperança ou amor dificilmente pode ser considerada uma recompensa.

A idéia de que uma vida íntegra não merecia recompensa alguma especial, ou imunidade de dificuldades e de sofrimentos, foi expressa, posteriormente, por Jesus (Lucas 17.7- 10 ou 21.5-28, entre muitas outras referências). Em outras alusões da Bíblia, Deus é descrito como aquele que pode nos livrar de todas as dificuldades (como no Salmo 34.17-22). Mas e quando parece que não há libertação? Que fazer quando a vida está cheia de dor infinita, de solidão e de inerradicável tristeza? A maioria de nós tem experiências que nos permitem ao menos imaginar o desespero de Jó diante da sucessão de calamidades acontecidas. Entretanto, retidão e sofrimento são assuntos adjacentes; o enfoque principal que consideramos hoje é qualidade de vida.

Qualidade de vida: um assunto ou um ídolo?

A ligação aconteceu minutos depois que havíamos começado a saborear uma excelente comida, num daqueles jantares especiais. Lamentei ter atendido ao telefone assim que reconheci a voz preocupada que alteraria nossos planos...

Falei para meu interlocutor ao telefone que o visitaria o mais cedo possível; então, sentei-me de novo à mesa e, vagarosamente, terminei meu jantar, deliciando inclusive a sobremesa. Passei um bule de café e bebi duas xícaras antes de deixar minha casa com mais um copo na mão para beber durante o caminho. Eu sabia que teria que dar a impressão de estar interessado e simpatizante com o que ouviria, em mais uma série enfadonha de disfuncionais episódios de brigas familiares sobre os quais não poderia fazer coisa alguma!

A pessoa do telefonema era “velha”, no pior sentido da palavra: teimosa, egocêntrica, irreconciliável, vingativa e religiosamente fria – um patético exemplo de um cristianismo raquítico que tinha visto até aquele tempo. Chegando à sua casa, bati à porta e, enquanto esperava alguém abri-la, murmurei uma oração para que as palavras de minha boca e o meditar de meu coração fossem agradáveis aos olhos de Deus (sem qualquer intento ou desejo de deixá-lo examinar ou mudar minha atitude). A pessoa que abriu a porta estava soluçando; não exibia nenhuma das características habituais descritas acima. Eu pensava que o soluçar havia começado só para afiançar minha condolência ao pressentirem a chegada de meu carro; mas o número de lenços no chão da sala de estar indicava um prolongado (e, talvez, genuíno) pesar. Sentei-me e esperei. Logo, os clichês de crises vieram e verteram adiante.

Eu escutei. Eventualmente, a razão para o mais recente desespero emergiu. Um filho adulto estava preocupado com os pais que haviam sido notificados pelo departamento de trânsito sobre uma licença para dirigir. Haviam requerido um teste motriz que resultou na revogação da carteira de motorista. O indivíduo que morou no país teria que se mudar, deixar uma grande quantia de independência entesourada, vender o veículo amado e, o pior de tudo, depender de outros (que, possivelmente, não poderiam satisfazer suas exigências bastante rígidas) e pagar-lhes pela ajuda inadequada deles. Li Filipenses 4.4-11 e falei sobre como Paulo tinha aprendido a estar contente sempre; orei por conforto e por satisfação, e despedi-me com as palavras ditas por aquela pessoa ecoando em minha cabeça: “Você fala assim, porque isso não está acontecendo a você!”

Enquanto dirigia de volta para casa, percebi que tinha o que Jó chamou de “confortador miserável”. Fui ao ser chamado, ouvi com submissão, citei as Escrituras e orei. Mas, tudo que eu poderia ter pensado sobre a maturidade cristã da pessoa visitada...

Bom, vi que a minha era menor ainda! Minha satisfação foi destruída com um único telefonema. Refleti sobre o que nós chamamos de qualidade de vida e o que a Bíblia denomina alegria e esperança. O que nos leva a assumir que há uma conexão? O poderoso testemunho dos primeiros cristãos era que eles sofriam a perda de todas as coisas e ainda continuavam alegres e joviais.

Há pessoas que estão lendo este comentário e que nunca dirigiram um carro; contudo, têm alegria. Pode haver alguns que sabem da inexistência de cura para sua enfermidade; no entanto, estão contentes e cheios de esperança. Existem aqueles que estão sem alguns de seus membros (ou impossibilitados de usálos) e que são grandes testemunhas de Cristo, vigorosamente usados para a glória do reino de Deus.

O propósito da vida8:

Vida sempre foi a possessão pessoal mais importante. A Bíblia cita uma opinião a respeito de uma pessoa deixar todas as outras possessões para salvar sua vida (Jó 2.4). Todavia, é importante notar a quem aquela declaração é atribuída – e não é a Jó! Para o cristão, há até mesmo uma possessão pessoal mais importante que a vida.

 

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