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A vida cristã não se resume a apenas acreditar nas coisas certas. Ela começa com o crer e sabemos que as boas obras não desempenham papel algum na nossa justificação. Entretanto, também é notório que o cristianismo traz certas responsabilidades e expectativas. Uma delas é viver uma vida de amor; especialmente em relação aos irmãos de fé. Passando para um outro nível Na semana passada, analisamos inicialmente o “teste do amor”, descobrindo como os cristãos podem testar a autenticidade de seu comprometimento com Cristo por meio de seu amor aos outros. Aqui, no capítulo 3, João revisou esse teste, mas o levou a um outro nível. Na parte 2, o foco era no companheirismo, e as estacas eram a diferença entre caminhar na luz ou na escuridão. O teste do capítulo 3 move-se para um eixo mais profundo em relacionamentos com as estacas; agora elas são vida e morte. O amor, aqui, não é apenas uma decisão consciente ou uma filosofia franca. Ele deve ser praticado e vivido no relacionamento com os outros. Esse tipo de amor é caro e pode até ser doloroso às vezes – até mesmo a ponto de levar ao auto-sacrifício.
Dionísio de Alexandria observou tal sentimento em ação entre os antigos cristãos que enfrentavam as devastações das pragas as quais varreram a Europa durante os primeiros três séculos. Enquanto o senso comum era o de que eles deveriam fugir das cidades para escaparem das aflições, muitos cristãos moveram-se pela compaixão e ficaram. Dionísio disse: “Os irmãos eram muito generosos no seu amor excessivo e na sua gentileza fraternal. Eles mantinham firmes uns aos outros e visitavam os doentes corajosamente; ministravam-lhes continuamente, servindo-lhes em Cristo... E morreram com eles alegremente, tirando a aflição dos outros, e cuidando da doença dos seus próximos e deles mesmos e por vontade própria recebendo suas dores.” (Rick Rusaw e Eric Swanson, A igreja focada externamente, em inglês, p. 114) Quatro níveis de relacionamento Similar ao seu apelo, no capítulo 2, João iniciou com um lembrete sobre o velho mandamento de mostrar nosso amor a Cristo obedecendo a suas leis e seguindo seu exemplo de amar nossos irmãos. Um dos elementos únicos do cristianismo é o fato de ser baseado num relacionamento, não numa religião. Outras religiões tentam apaziguar ou ganhar o favor de seus deuses e nenhuma delas oferece o mesmo tipo de relacionamento pessoal com o único e soberano Deus do Universo. Somos adotados como seus filhos (Efésios 5:1, 1 João 3:1); podemos falar com ele e esperar que nos ouça e responda a nossas orações. Ele prometeu que seu Espírito viverá dentro de todos os que acreditam nele. Por isso, nossa salvação baseia-se totalmente em nosso relacionamento com ele. Um resultado natural disso é sua expectativa de que tal relação seja refletida em nosso entrosamento com os demais. O comentarista Warren Wiersbe vê a descrição de quatro diferentes níveis de relacionamento em 1 João 3:11-24; e que poderiam ser praticados por aqueles que se dizem filhos de Deus. Todos, exceto um, ficam bem aquém da expectativa expressada por Jesus Cristo para a vida cristã de seus seguidores. 1) Assassinato (v. 11-12) Não é preciso ser um cientista para saber que o assassinato, definitivamente, não é o melhor meio de mostrar a alguém que o ama. E João usou Caim como um exemplo negativo: ele matou, porque “pertencia ao mal [Satanás]” (v.12). Não deveria nos surpreender que alguém de Satanás mate e minta, pois é isso que o Demônio é, e é isso que ele faz. Jesus falou sobre acerca desse vilão: “Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.” (João 8:44b, NIV). Deus não é a fonte de assassinato e de mentiras; é a origem da vida e da verdade. Sendo assim, todos que tiveram suas origens nele devem ocupar-se com a vida e com a verdade em todos os seus relacionamentos. Nota: Devemos evitar a tentação de interpretar a declaração de João, no verso 15b, dizendo que é impossível o perdão a um assassino. De fato, o assassinato é um dos pecados mais abomináveis. Mas até mesmo essa perversidade não escapa da inacreditável graça de Deus. O apóstolo Paulo é um exemplo perfeito disso! O que João diz é que quem cometia assassinatos, e arrependeu-se, dá evidências de ter se transformado num filho de Deus. 2) Ódio (v. 13-15) Podemos dar um profundo suspiro de alívio, sentindo estarmos a salvo dessa, porque nunca matamos alguém (pelo menos a maioria de nós....). No entanto, quantos de nós já odiamos uma pessoa? João iguala o ódio ao assassinato! E tem um bom precedente para isso: Jesus também disse que, para um cristão, o ódio é o mesmo que o assassinato (Mateus 5:22). Certamente, as conseqüências terrestres para o assassinato e para o ódio são extremamente diferentes (quando perguntadas, a maioria das pessoas prefeririam serem odiadas a assassinadas). Mas, conhecendo Deus nosso coração, ele vê que muito pouco separa o ódio desse tipo de crime, o que é terrível, uma conseqüência natural da inveja e do ódio. Nós pensamos que podemos escapar do fato de odiar os outros, porque odiar “não machuca uma pessoa”. Todavia, Jesus e João são bastante claros: isso é meramente uma tecnicalidade; o ódio não tem espaço no verdadeiro amor cristão. 3) Indiferença (v. 16-17) João continuou indicando que apenas nos refrearmos de fazer o mal aos outros não nos qualifica ao amor cristão. Também devemos agir, em nosso amor, para praticar o bem. Aqui, Cristo é dado como o exemplo derradeiro de amor auto-sacrificial. E, enquanto não nos pedirem para desistirmos de nossa vida por alguém, várias vezes veremos um irmão em necessidade e escolheremos não ajudá-lo. Esse tipo de indiferença não pode existir no coração de alguém que foi verdadeiramente submetido ao amor divino! Como o versículo 18 aponta, é bom dizer que amamos, mas se não o demonstrarmos com ações, não haverá sentido algum! A indiferença tem o potencial de prejudicar tão profundamente ou até mesmo mais que o ódio; ela é perigosa, pois se mostra mais sutil que o rancor (e muito mais do que o assassinato). 4) Amor cristão (v.18-24) Este é o amor que Cristo exemplificou-nos e para o qual somos chamados. O amor cristão não é apenas uma teoria. Ele é vivo, ativo, auto-sacrificial e não, autocentrado. É caro. Mas devemos ter em mente que não importa o quanto amemos e sacrifiquemo-nos pelos outros; isso nunca pode ser comparado ao amor e ao sacrifício dedicado por Cristo, na cruz, a nós. Se genuinamente amarmos os outros de coração, do mesmo modo (com motivos próprios – não apenas para termos a atenção ou a aprovação de Deus), poderemos descansar seguros de que estamos habitando nele e ele, em nós (v. 24). |