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Início seta Vídeos seta Estudos explicativos para você entender seta O DOM DA GRAÇA - 2 Coríntios 12.1-10 - ENTENDENDO E VIVENDO
O DOM DA GRAÇA - 2 Coríntios 12.1-10 - ENTENDENDO E VIVENDO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
03-Jul-2007

Jerry Johnson

Um novo contexto

Começando no capítulo 10, o resto de 2 Coríntios é a defesa da sua autoridade apostólica feita por Paulo devido à oposição difamadora que estava tentando minar seu trabalho. Ele começa respondendo alegações que são feitas contra ele (10.1-18) e então lança mão de um tom de "deboche" em sua defesa (11.1 - 12.13). Alguns argumentam que esta guinada de assunto deve-se ao fato de que os últimos quatro capítulos foram escritos no "meio de muitos sofrimentos e angústias de coração" (2.4), cujos conteúdos foram anexados ao fim. A maioria dos estudiosos não defende esta posição por causa da falta de evidências nos manuscritos que sugestionem qualquer desunião na epístola. No capítulo 12, ele relata a história de um homem que foi levado até o "terceiro céu", provavelmente uma insinuação a ele mesmo feita na terceira pessoa para que os leitores não pensassem que ele estivesse se gabando. Aparentemente alguns dos oponentes dele tinham ostentado terem visões. Como resultado, Paulo foi compelido a relatar uma experiência maravilhosa.

Muito se tem especulado sobre a natureza do "terceiro céu". Manfred Brauch sugere:

No Antigo Testamento parece haver uma tripla divisão do céu, o céu no qual os pássaros voam, o céu onde as estrelas existem (freqüentemente mencionado como "firmamento"), e o céu onde Deus reside, chamado ‘o mais alto céu, ou céu dos céus' (1 Reis 8.27; 2 Crônicas 2.6; 6.18; Neemias 9.6; Salmos 148.4). Infelizmente, esta informação é derivada de referências ocasionais no Antigo Testamento e não é claramente ensinada nele. (Hard Sayings of the Bible [Dificuldades bíblicas], págs. 626-627).

Este "terceiro céu" é equivalente ao "paraíso" no verso 4. Muitos comentaristas vêem isto como uma referência geral à presença de Deus, onde Jesus está (veja Lucas 23.43 e Apocalipse 2.7 e 22.1-5). Paulo não diz se ele concorda com alguns dos esquemas judeus que dividiram o céu em cinco, sete, ou até mesmo dez esferas. Considerando que o Novo Testamento não especula sobre a estrutura do céu, nós deveríamos enfatizar a centralidade de ser em primeiro lugar a presença de Cristo. A visão apresentada aqui, parecida com a visão à Damasco que ele apresentou a Agripa em Atos 26, serve para recordar aos céticos que este apóstolo fora chamado exclusivamente por Deus.

Um espinho na carne

Paulo aparentemente cria que Deus permitiu que ele fosse afligido de forma que não viesse a se exaltar. Isto servia para relembrá-lo que ele ainda dependia do Senhor, embora tivesse sido o recipiente de uma surpreendente revelação que faria a maioria dos cristãos arrogantes e auto-suficientes. O "espinho na carne" não é especificado. Alguns comentaristas defendem ser uma doença física e outros afirmam que era uma referência a uma forte oposição com a qual estava lidando nestes capítulos. Ambos os pontos de vista têm fortes méritos.

A interpretação mais natural seria de uma dificuldade física, semelhante à "fraqueza da carne", que o apóstolo discute em Gálatas 4.13. Sugere-se a oftalmia (veja Gálatas 4.15, 6.11; Atos 23.5) ou uma forte febre, talvez provocada pela malária (veja Atos 13.13). Entretanto, estas passagens não são definitivas. Sendo assim, alguns discutem que este "espinho" é paralelo às referências feitas aos adversários no Velho Testamento, inclusive "espinhos em suas costas" (Juízes 2.3, NVI) e "espinhos em seus olhos" (Josué 23.13, Números 33.55). Brauch adiciona que "mensageiro de Satanás" se refere a uma pessoa específica, uma vez que mensageiro significa "um indivíduo" nos escritos paulinos. Além disso, a palavra "fraqueza" se refere à fraqueza moral, espiritual ou social em todos os sete usos em Coríntios e nos dois em Romanos. Combinando com o contexto maior, Paulo muito provavelmente pode estar falando dos seus oponentes como este "espinho na carne" (conforme Hard Sayings of the Bible [Dificuldades bíblicas], págs. 627-629).

Qualquer que seja a identidade específica, o ponto é o mesmo. A aflição era uma ferramenta de Satanás e também de Deus. Estes dois conceitos podem parecer paradoxais. Nós oramos para Deus nos aliviar e ele pode nos responder que o melhor para nós é continuar sofrendo. Paulo tinha aprendido que o poder do Espírito de Deus se manifestava numa vasilha de fraqueza. Isto é muito difícil para a maioria dos cristãos de nossos dias apreciar e aplicar. O pastor Rick Warren ofereceu quatro meios nos quais estar contente com a fraqueza pode ser usado pelo Senhor (veja Uma vida com propósitos).

Quatro princípios guias

1. Ser fraco nos força a depender de Deus. O perigo é que somos acostumados a "andar com as próprias forças", especialmente numa sociedade que nos ensina a sermos autoconfiantes, independentes e a buscarmos a nossa realização individual. Quando Deus ganha nossa atenção ao permitir que tenhamos problemas, nós somos levados a nos aproximar mais dele.

2. Ser fraco joga fora nossa arrogância. Eu estou batalhando isto na Capelania do Exército, onde eu descobri haver muita competição. De fato, todas as semanas eu tenho que preencher um relatório ao meu comando. A maioria do relatório é composta de estatísticas - quantas visitas, quantas sessões de aconselhamento, quantos cultos realizados etc. Tiago 4 tem razão em lidar com o orgulho e como ele diminui nossa efetividade.

3. Ser fraco encoraja o companheirismo entre crentes. Eu pessoalmente creio que uma das razões para haver tantas denominações diferentes em nossos dias é o espírito de independência que nós absorvemos de nossa sociedade. Se nossas igrejas fossem como hospitais, que são responsáveis por cuidar das necessidades do fraco, em lugar de grandes negócios que procuram atrair uma multidão de pessoas que buscam entretenimento, nós teríamos um impacto muito maior no mundo.

4. Ser fraco aumenta nossa capacidade de nos condoer e ministrar. Apenas estude tudo dos grandes homens e mulheres de fé na Bíblia. Eles tinham fraquezas que, do ponto de vista humano, limitariam a habilidade deles de serem usados. No entanto, pelas fraquezas deles, Deus agiu e os refinou para cumprirem a sua vontade e trazer glórias para ele. Nossas limitações aumentarão nossa capacidade de sermos compassivos. Quando conseguimos nos colocar no lugar de outras pessoas, podemos auxiliá-las em suas necessidades, porque olhamos para elas do mesmo modo que Cristo olha para nós.

Uma palavra final

Em todas as nossas fraquezas, lembremos que a graça de Deus é suficiente para nos sustentar. Seja qual for o seu problema, talvez médico, financeiro, interpessoal, social etc., lembre que o poder de Deus estará em sua vida, se você entender que a fraqueza é uma oportunidade para Deus agir. O Senhor nos oferece força quando aprendemos a aceitar o fato de que temos limitações.

 

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