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Luz que conquista - 1 João 1.1 até 2.5 - ENTENDENDO E VIVENDO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
20-Out-2007
Obrigado, Senhor, por Cristo!

               Como cristãos, fazemos parte de uma grande família e estamos cercados de irmãos. Para muitos, o cristianismo é simplesmente surpreendente por causa destas relações: pessoas que o conhecem e (mesmo assim) amam você; pessoas que lhe darão o suporte necessário para crescer na fé e que o ajudarão em sua caminhada cristã. Esses relacionamentos também devem nos lembrar ou ensinar de que temos a oportunidade de manter um relacionamento com Deus através de Cristo. Ele conhece-nos no íntimo e, todavia, ama a todos profundamente. Ele ajuda-nos, inspira e encoraja-nos a crescermos. De 1 João 1.1 a 2.6, o apóstolo fala sobre como experimentar um relacionamento surpreendente com Deus; uma vivência que ele também experimentou.
João é pessoal.

    João deixa claro que está contando o testemunho do que viu e conheceu. É um testemunho pessoal, o depoimento daquilo que ele mesmo presenciou. Portanto, seu relato não é algo distante, impassível e supostamente imparcial da mídia moderna. Pelo contrário; João proclama, apaixonadamente, seu relacionamento íntimo, palpável e concreto com a Palavra de Vida. Ele diz: “Eu o vi, o ouvi e eu o toquei.”
A vida eterna foi manifestada a nós, clara e detalhadamente. João usa um tempo verbal, no grego, que sugere não somente ter visto, ouvido e tocado-o durante um período de tempo, mas que os efeitos daquela experiência continuam. Por isso, mantém a imagem de Cristo diante dele, e sua voz continua ecoando em seus ouvidos. O apóstolo teve uma relação pessoal surpreendente com o próprio Deus, e quer que seus leitores participem daquela alegria.

Deus é luz!

    Falando de sua experiência única, o apóstolo João explana que “Deus é luz; nele, não há treva alguma” (1 João 1.5, NVI). Essa é uma bela analogia: a luz anula as trevas. Assim, se alguém tropeça ao redor da negridão, é evidente que não está com sua lanterna em boas condições. Se está meio escondido na sombra, dá as costas para a luz. Da mesma maneira, caso alguém esteja na luz, necessariamente as sombras das trevas serão destruídas.
Andando na luz, permitindo que a mesma exponha aquilo que foi escondido por pura vergonha, confessando nossos erros, podemos caminhar de cabeça erguida, pois “Deus é fiel e justo ao perdoar nossos pecados e purificar-nos de toda injustiça” (v. 9b). Que maravilha! Porém, se voluntariamente procuramos andar nas sombras e na escuridão, é ridículo reivindicar qualquer relacionamento real com a luz!
Muitas vezes, enganamos a nós mesmos ao tentarmos esconder nossos pecados da luz divina. Na maioria das vezes, gostaríamos de nos convencer de que eles não existem e, se assim o fosse, não precisariam ser confessados. Mas lembre-se da fala de João: “Se confessarmos...”, ou seja, se não admitir seus pecados e não os confessar a Deus, não obterá seu perdão. Este é, pois, apenas para aqueles que confessam e deixam o erro. É claro que Cristo conhece nossa vida e sabe dos nossos pecados. Porém, ainda assim, ele oferece-nos seu amor e perdão; basta confessarmos e abandonarmos os erros.
    Algumas pessoas questionam a importância daquilo que fazemos, pois Jesus perdoará sempre. Antinomianismo é o nome dado a essa heresia, e significa literalmente “antilei”: nega-se ou diminui-se a importância da lei de Deus na vida do crente. É o oposto da heresia gêmea, o legalismo. Os antinomianos cultivam aversão pela lei de várias maneiras: alguns acreditam que não têm obrigação de obedecer às leis morais de Deus por Jesus os ter libertado; insistem em que a graça não só nos liberta da maldição da lei de Deus, como também nos liberta da obrigação de obedecer-lhe. A graça, pois, torna-se uma licença para a desobediência ou para o pecado. O mais surpreendente é que as pessoas defendem esse ponto de vista a despeito do ensino vigoroso de Paulo e de João contra ele!
Paulo foi um dos que mais combateu essa heresia, enfatizando as diferenças entre a lei e a graça. Ele gloriava-se na Nova Aliança. Mesmo assim, foi muito explícito ao condenar o antinomianismo. Em Romanos 3.31, escreveu: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira alguma! Antes, confirmamos a lei”.  A analogia de João lança alguma luz a essa pergunta.

Meu amigo Jesus

              Há muitos aspectos em nosso relacionamento com Deus. A maioria dos nomes referentes a Deus representa alguma faceta dessa relação: Pai, Criador, Senhor, Juiz, Salvador, etc. Deus é muito mais que apenas nosso amigo; mas ele pode ser - pelo menos - isso. Seu modelo de amizade tem muito a nos ensinar.
De certo modo, os seres humanos são criaturas essencialmente sós. Pensamos e sentimos muito mais do que podemos expressar de fato. Eu, como um pai novo, surpreendo-me com essa percepção quando meus amigos perguntam como é ser pai. Faltam-me palavras para descrever a sensação, e minhas tentativas de ilustrar são inadequadas. Em meus relacionamentos mais íntimos, particularmente com minha esposa, trabalho arduamente tentando descrever e expressar todos esses funcionamentos internos. Insisto nisso, porque, como todos os humanos, desejo ser conhecido e amado completamente para, em retorno, conhecer e amar os outros.
Contudo, em geral, os relacionamentos são sufocados pela desonestidade e pela desconfiança. As maiores ligações que alguém pode ter na vida são as construídas com base na confiança mútua e na honestidade. Deus conhece-nos e ama-nos mais completamente que qualquer um! Jesus vê toda vergonha escondida e, todavia, oferece seu amor e perdão; dessa forma, temos a oportunidade de manter um relacionamento com ele baseado na maior verdade jamais conhecida e na mais profunda fé e confiança.
Da mesma maneira que amigos verdadeiros não deixam seus irmãos de coração cometerem erros, Deus ama muito a cada um de nós para nos abandonar na escuridão. Não podemos ter um relacionamento significante e duradouro com ele se baseamos o mesmo no pecado; da mesma maneira, não há como ter uma relação significante com a luz se, constantemente, procuramos a escuridão. Com qualquer amizade ocorre de forma idêntica: se você constantemente está praticando atitudes que machucam, ofendem, abusam e levam vantagem sobre seus amigos, como pode se denominar amigo deles? João disse que saberemos se estamos na luz, que estamos em Cristo, quando começarmos a agir igual a ele.  Da mesma maneira que assumimos as manias e os hábitos do amigo, depois de um longo tempo andando em sua companhia, deveríamos ser mais parecidos com Cristo à medida que caminhamos com ele. No contexto desse tipo de relação, a ordem do dia é obedecer, o que às vezes é visto por alguns como desnecessário ou, até mesmo, como legalismo. Contudo, obedecer é uma conseqüência natural de nosso relacionamento com Deus.
Nós temos a oportunidade, então, de criar um relacionamento fundado no mais profundo conhecimento, na confiança ilimitada e no mais perfeito amor. Essa é uma amizade para se construir diariamente, e não apenas nos momentos de cultos. Nosso Senhor Jesus é o Emanuel, o Deus conosco.
 

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