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Humilhação e exaltação - Filipenses 2.1-11 - ENTENDENDO E VIVENDO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
03-Out-2007

Um começo divino!


                Filipenses 2.1 começa com “Portanto...” referindo-se ao que fora dito em 1.27-30. Em resumo, Paulo está chamando-os a viverem de uma “maneira digna do evangelho de Cristo”. Foi-lhes concedida a oportunidade de sofrerem por causa de Cristo, para expressarem o mesmo conflito que viram em Paulo; quer dizer, eles desejavam partir e estar com Cristo, como também viver e servi-lo.


Com isso em mente, Paulo exorta-os a serem unidos. E lista quatro condições: se há algum encorajamento em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão no Espírito e alguma profunda afeição e compaixão. Todas essas condições são tidas como verdadeiras.

 



                  A palavra “se” assume uma condição cumprida e poderia ser traduzida por “uma vez que”. A idéia, portanto, é: uma vez que há encorajamento, amor, comunhão, afeição e compaixão, sejam unidos! Então, o apóstolo lista quatro formas de colocarem em prática tal união. Em primeiro lugar, as pessoas precisam ter a mesma mente, como relógios perfeitamente sincronizados por Cristo, estando na mesma batida. Além disso, precisam ser unidas em amor e manterem o mesmo amor; unidas em espírito, corpo e alma; e  devem compartilhar um propósito. Mente a mente, coração a coração, alma a alma... propósito a propósito! Esse ideal de unidade e de amor cristão é bonito, mas parece irreal. Muitas igrejas assemelham-se a qualquer coisa, menos a uma união. Isso ocorre, porque estão cheias de indivíduos que buscam saciar suas próprias necessidades e sua glória pessoal. A chave aqui, continua Paulo, é um espírito de humildade.


 

Falando de seu próprio remédio


É interessante que Paulo tenha dito que a obediência dos filipenses completaria sua alegria (v. 2a). É claro que ele já está seguindo seu próprio conselho de considerar os outros como mais importantes que a si mesmo. Certamente, quando penso nas coisas que fariam minha alegria completa, meus pensamentos tendem mais para a área da saúde e de boas rendas que para o crescimento espiritual de meus irmãos em Cristo. Paulo olhava para os interesses dos outros, e era o sucesso e o crescimento deles que o encorajava e completava sua alegria.




Um roteiro para a humildade

O que significa humildade? Paulo dá-nos uma pista por via de contraste. Não faça nada por egoísmo ou vanglória. Todos sabemos muito bem o que é o egoísmo. Vanglória é um falso orgulho: orgulho numa situação ou num momento em que não há razão alguma para ser orgulhoso. Há coisas das quais deveríamos estar verdadeiramente vaidosos: do evangelho, de nossas crianças... Porém, a maioria das pessoas orgulha-se de seu alto intelecto, de sua posição econômica superior, da boa aparência; geralmente, destinando os dons e as bênçãos de Deus para suas próprias realizações, usurpando os méritos de quem é devido. Sendo assim, humildade é, a princípio, não ser egoísta, nem falsamente orgulhoso.


A humildade requer considerar os outros como mais importantes que você. Essa difícil frase, literalmente, diz que devemos considerar os outros como superiores a nós e precisamos pensar neles como seres de valores excepcionais. Veja bem, o apóstolo Paulo não está nos aconselhando a fingir que os outros são melhores que nós, tampouco a negar os dons que Deus deu-nos e colocar-nos em posição de inferioridade para que eles pareçam superiores. Nós somos especialistas em medir nossas forças contra as fraquezas e as negligências alheias. Porém, considerando todos os fatos e vivências, aproveitando que Deus abre nossos olhos para analisarmos todas as nossas próprias fraquezas, negligências, fracassos e inconsistências, como podemos ser outra coisa além de humildes?! Se formos honestos quanto ao lamaçal do qual a graça de Deus levantou-nos, não olharemos para os outros com sentimento de superioridade... Deus vê o mesmo excepcional valor neles e em nós.



               Humildade, continua o apóstolo, no verso 4, significa buscar - não meramente buscar nossos próprios interesses - como também, os interesses dos outros. Diga-se de passagem, os nossos próprios nós vemos naturalmente, mas os dos outros.... Façamos uma analogia.  Se percebermos algo voando, tentando entrar em nossos olhos, é absolutamente natural e instintivo evitarmos que aquilo nos penetre. Entretanto, é menos provável que reajamos instintivamente para proteger as pessoas ao nosso redor (exceto os familiares).


Naturalmente, temos grande consideração por nós mesmos; porém, precisamos trabalhar arduamente para considerar os outros como mais importantes. No todo, Paulo dispôs algo muito difícil e desafiador. Felizmente, não temos de fazer isso por nós mesmos, pois contamos com o Espírito Santo habitando em nós. Ele capacita-nos a cumprirmos a vontade de Deus; o que temos a fazer é querer e esforçar-nos.




O modelo de humildade


Basicamente, devemos seguir o exemplo de Cristo. Ele era Deus, e merecia toda a glória e o reconhecimento também merecidos por Deus. Paulo diz que ele subsistia em forma de Deus. A palavra para “subsistir” ou “ser” descreve o estado contínuo de Cristo. Ele sempre teve e tem a natureza divina. A frase “Em forma de Deus” não se refere a uma semelhança física, mas à sua natureza inerente. Essa é uma afirmação clara da completa divindade de Jesus! Todavia, ele estava disposto a se humilhar; não apenas ser tratado como um homem, mas como um condenado e executado à morte. Ele possuía algo infinitamente merecedor de louvor e de gloria; porém dispunha-se a não ser reconhecido e a ser menosprezado.



               Quando Paulo diz que Cristo não considerou o fato ser igual a Deus como algo a se apegar, no grego há duas possibilidades de entendimento: ele pode querer dizer “algo a ser roubado” (o que não faz sentido algum, pois Jesus já tinha isso) ou “um prêmio a ser guardado a todo custo”. Este segundo significado é coerente com o que o apóstolo estava comunicando, porque Jesus “esvaziou-se”, assumindo a forma de servo (ou escravo).



A kenose (esvaziamento)


Do que exatamente Cristo esvaziou-se? Ele continuou sendo o Filho de Deus, completamente divino. Deixou seu ambiente de glória e ficou limitado em localização e em conhecimento. Até mesmo mais, como dissemos antes: esvaziou-se das manifestações óbvias da sua glória, de forma que todos que o viram, com exceção de uns poucos, estavam desavisados disso e não lhe deram o louvor e a adoração que, inquestionavelmente, merecia.



Ele usou a forma de um servo. A palavra forma é a mesma usada no verso 6, referente à expressão externa do ser dentro dele. É nisso que devemos seguir a Cristo! Somos chamados a tomar a forma de um servo; devemos nos humilhar e ser obedientes a ponto de morrer se preciso for.
 

Comentarios  

 
0 #1 fabio rodrigues 11-03-2011 13:43
adorei o estudo explicativo sobre humilhação e exaltação , que Deus continue lhe dando sabedoria para postar palavras divinas como estas , Deus vos abençoe Adriano!!!!
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