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Início seta Estudos Explicativos seta “Eu Sou a Ressurreição e a Vida” - João 11:17–27 - ENTENDENDO E VIVENDO
“Eu Sou a Ressurreição e a Vida” - João 11:17–27 - ENTENDENDO E VIVENDO PDF Imprimir E-mail
Escrito por Kurt Berg   
15-Dez-2007

Cenário
Após as controvérsias envolvendo a Festa da Dedicação (Hanukkah) e seu messianismo, no capítulo 10, Jesus retira-se para um local além do Jordão; ali, muitos viriam a crer nele. Algum tempo depois, recebe um recado das irmãs de Lázaro, Maria e Marta: “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas”. (João 11:3). Se presumirmos que a mensagem teria levado um dia para alcançar Jesus e outro para ele fazer a viagem de volta à Judéia, e adicionando os dois dias em que Jesus ficou no local onde estava antes da sua partida, é altamente provável que Lázaro estivesse morto quando do recebimento da mensagem. Isso renderia os quatro dias mencionados no verso 17.  Existem pelo menos dois assuntos importantes que João parece focalizar antes da partida de Jesus. O primeiro é o de confrontações maiores que poderiam, desta vez, resultar em conseqüências muito tristes. O segundo é a de qual ajuda poder ser retribuída a Lazaro. Há um mal-entendido a respeito da real condição do leproso. “Senhor, se dorme, estará salvo.” (João 11”12). Ao que Jesus pronuncia a verdade literal da situação, que é a de que Lázaro estava morto.

Nossa passagem
Ao chegar à Judéia, enquanto se aproximava de Betânia, onde Lázaro e suas irmãs viviam, Jesus descobre que Lázaro morrera há quatro dias. Brown destaca, no verso 17, sobre os quatro dias: “Esse detalhe é mencionado para deixar claro que Lázaro estava realmente morto. Havia uma opinião entre os rabinos de que a alma pairava próxima ao corpo por três dias, mas após isso não havia esperança alguma de ressurreição.” Assim sendo, de uma vez por todas, Lázaro estava bem morto!
Marta, ao ouvir que Jesus estava a caminho, deixou a casa e veio ao seu encontro. Suas primeiras palavras a ele certamente são uma declaração de fé, mas também se mostram decididamente parciais. “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, ele to concederá.” (João 11: 21-22). Como nossa fé parece com a de Marta! Nós temos, abrigado junto a nós, um conjunto particular de circunstâncias e acreditamos que Deus é capaz de atuar sobre ele. Que contraste com a irrestrita visão das circunstâncias em que Deus atua! Ele é Vida real, a única que existe. A Vida está atuando longe, perto e dentro, em todas as nossas circunstâncias.
A resposta de Jesus não é contingente ou condicional: “Teu irmão há de ressuscitar.” Aqui nos vemos de novo na condição inteiramente respeitável de Marta dizendo, de fato, “Sim, mas certamente não agora.” Sua resposta permite bastante espaço em termos de tempo: “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”. (v. 24, o itálico é nosso). Não só isso, mas se a época de Lázaro ressuscitar pode ser deslocada para algum período distante no futuro, pode haver certa nebulosidade quanto à ação. Certamente Deus levantará os mortos. O reconhecimento-chave, no qual Marta falhou, era que ela estava falando com a própria Ação em Pessoa. “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu nisso?” (versos 25 e 26).
Vida e Luz
Essa é uma linha presente ao longo do livro inteiro de João, começando com o prólogo sobre o Logos (= a Vida e a Luz). (João 1:4) E continua numa forma levemente mais silenciosa, com o imaginário do nascimento, no verso 1:13, mas está claro que o “nascimento” está numa fisicalidade bem mais vigorosa que o experimentado atualmente. Por sua vez, ele tem conexão com a conversa com Nicodemos, na forma de ser “nascido outra vez”.
O capítulo seguinte, com a mulher na fonte, fala sobre “água viva” e sobre ela ser “uma fonte de água que salte para a vida eterna.”(João 4:14). Então, no capítulo 5, lemos que “o Filho vivifica aqueles que quer”, prefigurando nossa exata situação atual. Além do mais, “quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. (João 5:24). Depois, como se configurado para nossa situação específica: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.”(v. 5:25)
Aqui e agora
Tudo isso poderia muito bem ser ouvido num contexto abstrato, metafísico e marginalizado ou ter ocorrido em algum outro lugar, em outra época. João não nos permitirá fazer isso. Ele vai se certificar para que tenhamos uma figura exata do significado de todos os pronunciamentos prévios sobre a “vida”, conduzindo ao capítulo 11. Ele diz, de fato: “Aqui está o que a vida, como uma possessão atual, realmente significa”. Devemos notar que, para Lázaro, ainda haveria outra morte física para encarar, mas acho que ficou entendido. A morte como um inimigo não mais tem a palavra final sobre onde terminaremos, e João eventualmente chegará lá em seu Evangelho também. Se a experiência do crente é seguir  nosso Senhor; então, nosso estado final será aquele no qual a morte foi extinta e consumida.
Bem no final de tudo vem o encerramento ressonante do verso 26. Jesus pergunta a Marta: “Crês tu nisso?” É tempo de executar a manobra, não para outro lugar ou outro tempo, mas para aqui e agora, rolando a pedra e chamando o morto. João não poderia ter feito melhor ilustração! Nossas vidas são vividas apenas dessa maneira. Estamos em todos os lugares, a todo o tempo, tentando recusar a solidez do que Jesus, tendo suportado a morte para termos a “vida”, na verdade significa. Em Lázaro, ouvimos a citação “Sai para fora.”, que é o ponto mais forte que João pôde dispor até que nos leve pela atual ressurreição de Jesus.
De novo, como em João 10, deveríamos ouvir a real garantia da nossa cidadania num novo mundo, apontado por Jesus que tem a autoridade para levantar os mortos. Essa é a vida mais “real” que poderia haver! João, convincentemente, leva-nos a ver esse novo mundo amanhecendo. Em breve, vamos vê-lo Jesus; por hora, aqui, enxergamos em miniatura, na ressurreição de Lázaro. Eis a esperança segura e certa!

 

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