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Entendendo e vivendo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jerry Johnson   
04-Out-2008
Eu confesso que, à proporção que eu crescia nos muito conservadores estabelecimentos batistas dos anos 80 e 90, apenas mantinha um respeito nominal ao lugar de Maria na Igreja. Parte disso era uma resposta ao ensinamento crítico de doutrinas católicas. O restante era provavelmente baseado numa ignorância intencional. Desde 2004, quando entrei na Capelania do Exército, desenvolvi uma visão muito maior de Maria como resultado de minha interação com outras pessoas. O historiador da igreja, Timothy George, oferece uma perspectiva balanceada de acordo com os reformados.
“Devemos lembrar que ela foi chamada de “bem-aventurada” pelo anjo Gabriel. Creio que Maria creu puramente no Evangelho pregado por seu filho Jesus, e foi justificada por sua fé. Infelizmente no decorrer dos anos muitos ensinaram a veneração a Maria, o que não é bíblico. Penso que devemos ter uma visão mais positiva de Maria, na medida em que é realmente bíblica, ou seja como uma mulher que foi agraciada por Deus e que se deixou ser usada como um instrumento nas mãos divinas para abençoar o mundo inteiro.” (Entrevista com a CristianityToday.com, 01 de julho de 2004)

Explicação das Escrituras
    Gabriel teve uma outra missão depois da sua mensagem a Zacarias, cerca de seis meses antes. Deus enviou-o a uma pequena e insignificante vila, com menos de 2000 pessoas, para falar a uma virgem, noiva de José, descendente de Davi. M.S. Mills dá uma boa informação adicional sobre esse episódio que eu sintetizo a seguir:
O noivado judaico envolvia um contrato legal que tinha a força de um casamento; era mais próximo ao nosso conceito de casamento do que o de noivado. Se o noivo morresse, a noiva tornar-se-ia viúva e beneficiar-se-ia do costume de um casamento levirato. Caso fosse infiel, seria divorciada como adúltera; e o noivado somente poderia terminar por procedimentos de divórcio. Em outras palavras, a mulher tinha todas as obrigações legais de uma esposa, mas o casamento só era considerado como tal depois da cerimônia que, tradicionalmente, acontecia um ano depois do noivado. (Exposição em Lucas 1.26-38).
    Maria tinha, provavelmente, treze ou quatorze anos e ainda morava com seus pais durante essa época. E mantinha sua virtude e pureza sexual, ambos os princípios importantes de acordo com Deuteronômio 22.13-21. Mateus 1.19 indica que José encarou um dilema; e Maria também porque, no momento melhor, seu casamento terminou. E, durante o pior, ela poderia ser apedrejada até a morte. Eu, pessoalmente, durante uma conversa com um homem no Afeganistão, na província em que estava arregimentado, em 2006, descobri que o apedrejamento ainda é realizado, nos dias de hoje, no Afeganistão. Isso deveria ser uma perspectiva terrível para Maria, naquela época.
    O anjo transmitiu-lhe muitas informações importantes. Maria foi uma “favorecida”, aquela que recebeu o favor de Deus. O Senhor estava também com ela; assim, não havia razão para ter medo. Além do mais, o filho que colocaria no mundo teria o nome de Jesus, “chamado o Filho do Deus Altíssimo”, e “Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” para reinar para sempre. A confirmação está no fato de que o Espírito Santo viria sobre ela com o poder ofuscante da presença do Altíssimo para que esse filho pudesse ser chamado de “Criança Santa”. Além do mais, a gravidez de sua parenta Isabel provava que “nada é impossível com Deus.” Que mensagem convincente!
    Não há dúvida de que esse é o nascimento virginal. Mills observa que a palavra grega “parthenos”, usada no versículo 27, inequívoca e não ambiguamente, significa “virgem”. Mais adiante, no versículo 35, afirma que o filho de Maria seria o filho de Deus (isto é, Deus é seu Pai), e que a concepção seria pelo Espírito Santo. Não pode haver dúvida de que o Novo Testamento determina-o como um nascimento virginal. (ibid)
    A resposta inicial de Maria pode ser descrita como perplexa e enigmática, o que seria natural. Sua segunda frase não é de descrença, mas um pedido de esclarecimento; afinal, ela era tanto mulher quanto virgem. Maria não tinha status; por isso, essa revelação é certamente uma surpresa. Kathleen Morris resume essa questão relembrando o que Maria disse: “Como pode ser isto?”. Eis uma resposta mais simples do que a de Zacarias, e também mais profunda. Ela não perde sua voz, mas a encontra. Como muitos profetas, ela afirma-se ante Deus dizendo: “Aqui estou.” Não há arrogância; percebemos apenas medo e assombro. Maria continua - como nós devemos fazer em vida – consentindo, sem saber muito sobre o que acarretará ou aonde a levará (Amazing Grace, citado em A encarnação: uma antologia (The incarnation: An Anthology), pp. 24-25).
    Sua terceira resposta é similar à de Isaías, na qual humildemente se submete ao chamado de Deus. Maria tinha feito honestamente perguntas na fé. O Senhor diagnosticou seu coração como estando perto dele. Ela foi fiel.

 
 

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