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Entendendo e vivendo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Lucas Seidler   
19-Out-2008
A maioria dos cristãos pode apontar episódios “da emoção da vitória e da agonia da derrota” espiritualmente, para citar a famosa frase de John Mckay’s, do Atletas de Cristo.
    Conforme olho para minha própria vida, vejo que Deus moldou meu chamado como Capelão do Exército usando o fracasso. Há pouco mais de vinte anos, eu era um fracasso na Academia da Força Aérea dos EUA. Não passaria num exame de condicionamento físico (ou mal atingiria os padrões mínimos) se minha vida dependesse disso, que tinha um efeito dominó na minha performance militar e na acadêmica.
    Além do mais, eu vivia uma mentira espiritualmente falando, comparecendo ao encontro do exército da salvação embora nunca atingisse qualquer dimensão de disciplina ou de caráter espiritual. Nem sempre fiz a coisa certa e quase fui dispensado pela violação de um código de honra. Felizmente, fui capaz de renunciar, de voltar a uma faculdade regular e de envolver-me com uma igreja, levando a sério o chamado de Deus.
    Mais tarde, enquanto servia em Connecticut e em Wisconsin, minha esposa e eu batalhamos para melhorarmos financeiramente. Isso nos trouxe desafios contínuos, pois tentávamos servir “a dois senhores”. Não obstante, como fala a música de Don Moen, “Há amor e força para cada novo dia, ele dará um jeito, ele dará um jeito”. Estou certo de que, se eu tivesse ido adiante na minha primeira tentativa de ser militar e tivesse meu pastoreio sido de fácil sucesso, não teria sido capaz de ajudar os soldados que enfrentam suas próprias gamas de dificuldades.
    Cada um de vocês pode, provavelmente, identificar sua própria época de fracasso e ver verdade naquele princípio: Deus não fecha a porta de sua utilidade para ele apenas por causa de um período de vida no qual você seja insuficiente dentro de seu padrão de perfeição. A habilidade de Zacarias em profetizar prova que Deus é amável.

Explicação das Escrituras
    Quando Isabel deu à luz, os vizinhos e os parentes rejubilaram-se com ela (literalmente se co-rejubilaram), porque Deus tinha mostrado compaixão em lhe conceder um filho. Quando eles chegaram a casa para a circuncisão, no oitavo dia, esperavam que a criança recebesse o nome de Zacarias. M.S. Mills coloca que, quando Isabel deu o nome de João a seu filho, ela quase causou um alvoroço (v. 61)! A palavra grega traduzida por “respondeu”, no versículo 60, requer um precedente; por isso, quando nenhuma pergunta direta precede-a, ela forçosamente se torna uma reclamação.
Isabel explicou a seus parentes que o nome do filho não seria Zacarias, mas sim João. O nome João, do hebraico “Yohanan” (que significa, literalmente, “Deus é afável”), era carregado de significado para seus pais e para a nação de Israel. Esse nome é uma permanente testemunha do amável ato que Deus realizou ao enviar seu filho para redimir os pecadores da penalidade do pecado (Exposição em Lucas 1.59-66)
    É provável que Zacarias tenha ficado tanto mudo quanto surdo; pois, quando seus parentes argumentaram, eles tiveram que fazer um sinal para que ele pudesse resolver a questão. Uma vez que escreveu “Seu nome é João” na tabuinha, ele era capaz de louvar a Deus e de profetizar por meio do poder do Espírito Santo. Além do mais, somado ao medo natural que viria às pessoas que testemunharam o evento, os residentes dos campos montanhosos da Judéia lembravam que testemunhariam anos mais tarde.
    A profecia por si só, contida nos versículos 67 a 79, é freqüentemente chamada de Benedictus (“Seja louvado”), a primeira palavra na tradução do Latim Vulgar (NASB Study Bible, p. 1461). Muito interessante que o foco dos oito primeiros versículos esteja no Salvador, enquanto que apenas os quatro últimos centram-se no ministério específico de João. As primeiras palavras de Zacarias, depois de meses de silêncio, também quebram um vazio de quase 400 anos, um período no qual Israel não recebeu uma profecia redentora. Deus deve ser louvado, “porque visitou e remiu seu povo.”
    Essa redenção é espiritual e não, militar ou política. O Salvador deve ser a forte “corneta da salvação” (veja Deuteronômio 33.17; Salmo 22.21; Miquéias 4.13) da “casa de Davi, seu servo” (referência à genealogia, em 3.23-38), que não somente liberta Israel do medo dos inimigos, como também demonstra misericórdia para com os pais que haviam sido mortos por centenas de anos. Esse Messias realiza aquele propósito particular cumprindo os termos da aliança feita com Abraão, em Gênesis 12, 15 e 17. Ademais, a salvação concedida a Israel é para ser focada na direção do serviço em “santidade e em honradez perante ele por todos os nossos dias”. Ironicamente, o ministério de João enfatiza a necessidade de arrependimento nacional.
    O papel de João, secundário àquele de Cristo, é ainda assim essencial. Ele será o “profeta do Altíssimo” (veja Malaquias 3.1 e 4.5, pois se referem a Elias), aquele que literalmente viria antes de Jesus para preparar o povo. Por intermédio dele, as pessoas saberiam a respeito da salvação que lhes fora conferida. Seu ministério de pregar o arrependimento, o perdão dos pecados e o batismo segue esse padrão, como falado em Mateus 3.1-17; em Marcos 1.1-8; em Lucas 3.1-22 e em João 1.6-34.
    Muitos estudiosos acreditam que a referência à expressão “a luz do alto” que irá visitar Israel aplica-se à tradução grega septuagenária de Zacarias 3.8 e 6.12. Ela fala de um dia em que Israel obedeceria completamente ao Senhor por meio da aceitação do Messias. A paz viria até essa nação depois da salvação, de acordo com o versículo 79.
    Lucas diz que João cresceu física e espiritualmente enquanto esteve por quase 30 anos no deserto, antes de sua aparição pública. É apropriado que o último profeta do Antigo Testamento, aquele que seria a ponte para o Novo Testamento, se tornasse proeminente pouco antes daquele que é Maior.
 

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