Skip to content

Narrow screen resolution Wide screen resolution Increase font size Decrease font size Default font size
Início seta CBSDB seta Um breve relato histórico sobre os Batistas do Sétimo
Um breve relato histórico sobre os Batistas do Sétimo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Teixeira   
23-Mar-2007

(Retirado do Livro "Consciência Cativa - Um breve relato histórico sobre os Batistas do Sétimo Dia").

                 ImageQuando Martinho Lutero se pôs de pé perante seus acusadores em 1521, ele disse algo que mudou o curso da igreja cristã para as futuras gerações.

                 A não ser que seja convencido pelo testemunho da Escrituras [...] a minha convicção vem das Escrituras a quem me reporto e a minha consciência está presa à palavra de Deus - nada consigo nem quero retratar, porque é difícil, maléfico e perigoso agir contra a consciência. Deus que me ajude, Amém.

A devolução das Escrituras à igreja

                 A Reforma protestante, da qual Martinho Lutero fé parte, foi a tentativa de reformar a Igreja Católica das práticas que tinham pouco ou nenhum fundamento bíblico. Os reformadores acreditavam que a igreja cristã havia tomado caminhos errados e negligenciado as verdades expostas na Bíblia. Os batistas do sétimo dia, por quase 350 anos, estão entre os que acreditam que o batismo posterior à profissão de fé, o sacerdócio de todos os crentes e o sétimo dia como o dia de descanso são verdades negligenciadas pela maior parte da igreja cristã. Sobre esses assuntos, eles tomaram uma posição, pois sua consciência estava "cativa à Palavra de Deus".

Reformadores protestantes

                 Os reformadores do começo do século XVI discordavam sobre quais seriam as mudanças necessárias na igreja. Lutero, em sua luta pessoal, descobriu o princípio bíblico da justificação pela fé e protestou contra a pretensão da Igreja Católica Romana de conceder salvação a alguém mediante o pagamento de uma taxa. João Calvino enfatizou a soberania divina absoluta sobre a vida dos homens , incluindo-se a  predestinação e a salvação dos eleitos. Os anabatistas rejeitaram o conceito de igreja nacional - segundo oi qual uma pessoa se tornava cristã por ter nascido em determinada região sob controle de uma igreja. Os anabatistas tentaram seguir as instruções do Novo Testamento: "Creia e seja batizado". André Fischer, uma anabatista que viveu na Europa Central na mesma época de Lutero e Calvino, afirmou que o tempo específico de apostasia começaria quando a igreja abandonasse o mandamento do descanso no sábado e o substituísse pelo domingo.
                 Os reformadores ingleses da época de  Henrique VIII separaram politicamente a Igreja da Inglaterra[Anglicana] da Igreja Católica Romana. Mesmo assim, essa reforma dificilmente teria acontecido se não fosse pelo trabalho anterior de homens como John Wycliffe, que traduziu a Bíblia para a Língua do povo. Munidas da Palavra de Deus, as pessoas estavam prontas para a mudança. Os puritanos queriam "purificar" a igreja e substituir em seus cultos e práticas o Livro de oração comum pelas Escrituras. Os separatistas  estavam convictos que a única forma de restaurar os padrões do Novo Testamento na igreja era separar-se da igreja nacional. Entre esses separatistas estavam os batistas e os congregacionais, que viam a igreja como uma comunhão dos crentes.

A origem dos batistas

                 Os batistas remontam a John Smyth e Thomas Helwys. Em 1609, John Smyth escreveu que as crianças não deveriam ser batizadas por duas razões bíblicas: primeira, não há nenhum exemplo no Novo Testamento de que bebês tenham sido batizados por Jesus, nem por seus discípulos; e segundo, Jesus ordenou aos discípulos que ensinassem e depois batizassem. Thomas Helwys, fundador da primeira Igreja Batista na Inglaterra em 1611, aceitou as idéias de Smyth e expandiu-as, incluindo o mandamento de Jesus de testemunhar a própria fé.
              Os batistas ingleses do século XVII dependeram dos reformadores do século anterior para ter o solo preparado para que reformas mais profundas ocorressem. Mas os batistas se recusaram identificar-se com qualquer outro grupo, tal como os anabatistas, com  os quais partilhavam várias crenças. Ao separa-se da Igreja da Inglaterra por sua dependência da tradição e de seu regime autoritário, os batistas afirmaram as bases de suas convicções sobre o livre exame da Bíblia, independente da "sucessão apostólica" Portanto, os batistas do sétimo dia não tentam traçar uma linha de observância do sábado até chegar à igreja do Novo Testamento. As Escrituras fornecem a  razão suficiente para essa prática.
                Em 1620, o pastor John Robinson ( que pertencia a uma grupo de imigrantes puritanos ingleses) permaneceu na Holanda, enquanto muitos membros de sua congregação embarcavam para as colônias americanas a bordo do navio Mayflower. Ao fazer  sua pregação de despedida, prestou honras aos reformadores, mas lembrou seus paroquianos de que "o Senhor ainda tinhas mas verdades e luz para mostrar em sua santa Palavra... não é possível que o mundo cristão tenha saído tão recentemente de tamanhas trevas anticristãs e que a completa perfeição do conhecimento fosse mostrada de uma vez" .

                 Os batistas do sétimo dia  criam que o sábado era uma das verdades que ainda tinham de ser restaurada da santa Palavra de Deus e que o conhecimento dela deveria incluir o sábado. William S. Brackney começou seu livro, intitulado The Baptista [Os batistas], com um resumo da história dos batistas na Inglaterra. Depois de descrever o começo dos batistas particulares e gerais desse movimento separatista.

               A terceira corrente de convicção Batista também demanda atenção. Numericamente pequena, mais fortemente perseguida, nem por isso menos flexível em relação à sua Fé são os Batistas do sétimo Dia. Na busca pelas bases bíblicas da época, quando as escrituras estavam sendo constantemente escrutadas como padrão de doutrina e pratica da Igreja livre, não causou admiração o fato de uma pessoa ou Igreja chegar à conclusão de que a guarda do Sábado fosse um requisito inevitável do cristianismo bíblico.(The Baptists, New York: Greenwood Press, 1988, p. 6-7)

               Apesar de ele mesmo não ser Batista do Sétimo dia um dos escritores antigos mais influentes sobre a guarda bíblica do Sábado foi Theophilus Brabourne, um sacerdote da igreja da Inglaterra. Em 1628, ele publicou  A discourse upon the Sabbath Day [ Discurso sobre o Sábado]. Nele apelava a lideres da igreja aos líderes da igreja  para o retorno ao dia de descanso segundo a Bíblia. Apesar de estar convencido sobre o Sábado, Brabourne não foi bem-sucedido em convencer os lideres da Igreja e continuou nela, apesar de ter passado um período na prisão.

                 Acredita-se que em 1844, um membro da igreja Batista do Sétimo Dia de Verona, Rachel Oakes Preston, apresentou a guarda do Sábado a dois ministros do movimento Millerista1 em Washington, New Hampshire. Os escritos de um deles levaram à adoção da guarda do sábado pelos Adventistas do Sétimo Dia.2

A Igreja Batista do Sétimo Dia no Brasil

               A origem da Igreja Batista do Sétimo Dia, no Brasil, remonta a 1913. Em uma reunião administrativa regional da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Conferência do Paraná, realizada em 19 de janeiro daquele ano, em Curitiba, PR, cinco líderes e outros membros dessa igreja solicitaram demissão por discordarem de alguns pontos doutrinários, especialmente quanto à importância atribuída ais escritos de Ellen Gould White. Assim, naquela ocasião, desligaram-se dessa igreja os irmãos Theodoro P. Neumann, Jorge P. Wischral, Julio Nisio, Gustavo Schier e Candido M. de Godoy (os dois primeiros eram membros da Comissão Administrativa da referida Conferência).
               No dia seguinte, esses irmãos, juntamente com outro líder demitente - Germano Echterhoff - , reuniram-se nessa cidade e resolveram fundar uma nova congregação denominação denominada "Evangélica Adventista do Sétimo Dia", tendo por objetivo anunciar nosso Senhor Jesus Cristo como único Salvador e a Bíblia Sagrada como única regra de fé. Após alguns dias (exatamente em 25 daquele mês) publicaram um manifesto, subscrito pelos seis líderes, esclarecendo as razões de sua atitude e confirmando sua fé.

                Em 21 de junho de 1916 foram aprovados o Estatuto e o Regimento Interno, sob o nome de "Conferência da Igreja Evangélica Adventista", que vigoraram até 4 de novembro de 1950, quando, em Assembléia Geral Extraordinária realizada em Curitiba, os mesmo foram alterados. Foi adotada então o atual nome, após os entendimentos protocolares com a Igreja Batista do Sétimo Dia de Hamburgo (Alemanha), em face da identidade de doutrinas.

                Posteriormente, em Assembléias Gerais realizadas em 1960, em Itararé, e em 1965, em Curitiba, esses documentos foram reformados, sendo que nesta última reunião foram aprovadas a "Declaração de Fé dos Batistas do Sétimo Dia" e a associação da Igreja à Federação Mundial Batista do Sétimo Dia, com sede atual em Janesville, WI, Estados Unidos. Os Batistas do Sétimo Dia também são membros da Aliança Batista Mundial.

                A cada cindo anos são realizadas as sessões da Federação Mundial dos Batistas do Sétimo Dia (SDB World Federation Sessions). As últimas sessões foram realizadas no Brasil, de 10 a 16 de fevereiro de 2003, na cidade de Bocaiúva do Sul, PR.

                Os Batistas do Sétimo Dia têm a bíblia como única regra de fé prática. Crêem que ela está completa e contém todo o plano de Deus para salvação e orientação da humanidade, e o Espírito Santo é quem orienta os cristãos em toda a verdade (João 16.13).

                Esse relato histórico acima foi retirado do livro "Consciência Cativa - Um breve relato histórico sobre os Batistas do Sétimo Dia", páginas 13 a 17,35,36,101,102.  Neste livro o autor o autor apresenta em poucas páginas(p. 104)  um relato completo, porém conciso, da origem, do processo e da condição atual dos Batistas do Sétimo Dia. Cremos que tal relato será uma rica fonte de informação para todos os que desejam conhecer com exatidão a história de nossa denominação, encorajando o estudo mais detalhado e o exame das crenças e práticas dos batistas que acreditaram o sétimo dia da semana como dia de descanso bíblico.

____
1 Movimento começado por William [Guilherme] Miller (1782-1849), o qual predisse a volta de Jesus por duas vezes 91843 e 1844). Depois de Miller ter abandonando o movimento e retornado à Igreja Batista, alguns de seus ex-seguidores se reorganizaram sob a liderança de Ellen.  White e formaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

2  Russel J. THOMSEN, SsEVENTH Day Baptists: their legacy to Adventists,Mountain View, Caif: Pacific Pres Publishing Assoc. 1971, p. 42.

Atualizado em ( 07-Fev-2008 )
 
< Anterior

Language

Topo